23/04/2018

Itaipu fará uma grande licitação para modernizar hidrelétrica

Fonte: Valor Econômico

A eleição para a presidência do Paraguai, no último domingo, foi encarada com naturalidade pela parte brasileira de Itaipu Binacional, empresa responsável pela operação da hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre os dois países. Segundo o novo diretor-geral brasileiro da companhia, Marcos Vitório Stamm, a empresa observa o processo eleitoral, tanto no Paraguai quanto no Brasil, que ocorrerá em outubro, como normal.

“Isso [eleições] é um processo natural. A eleição no Paraguai ocorre a cada cinco anos e, no Brasil, a cada quatro. Este ano coincide de ter eleições no Paraguai e no Brasil. Há sempre expectativa da manutenção da diretoria atual ou de [definição de] uma nova diretoria. Mas encaramos isso [o processo eleitoral] de forma muito natural e comum”, disse o executivo, em entrevista ao Valor.

Como é comum nas disputas eleitorais à presidência paraguaia, a revisão da tarifa de energia excedente vendida pelo país vizinho ao Brasil foi um dos temas levantados. Sobre o assunto, Stamm lembrou que em 2023 está prevista a revisão do Anexo “C” do Tratado de Itaipu (documento que rege o funcionamento da usina), que trata justamente sobre a comercialização da energia da hidrelétrica. Segundo ele, as áreas técnicas das partes brasileira e paraguaia de Itaipu já iniciaram os estudos sobre o tema, mas as negociações serão conduzidas pelos governos dos dois países.

“A Itaipu trabalha tecnicamente para a preparação dos dados e dos cenários. A decisão do Anexo ‘C’ nós achamos que é responsabilidade das altas partes contratantes porque assim são designados o governo brasileiro e o governo paraguaio no estatuto [Tratado de Itaipu]”, disse ele.

“Cabe ao governo brasileiro, através do Ministério das Relações Exteriores e Ministério de Minas e Energia, a condução do processo pelas altas partes contratantes. Nós fazemos o trabalho de subsidiar com os elementos, com os dados, com aquilo que for necessário para que tenhamos êxito nas negociações do novo acordo”, completou.

Formado em direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Stamm fez carreira no setor público, tendo sido diretor-geral da secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho do Paraná, em 1999, e diretor Administrativo e Financeiro da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), em 1990. O advogado está em Itaipu há pouco mais de um ano, quando assumiu a diretoria financeira da parte brasileira da companhia.

Stamm assumiu o principal cargo executivo brasileiro na Itaipu Binacional no último dia 13, no lugar de Luiz Fernando Vianna.

Questionado sobre a privatização do controle da Eletrobras, o diretor afirmou que a definição do assunto cabe ao Congresso, onde é discutido o projeto de lei sobre o tema. “Nós não somos atores [nas discussões da privatização da Eletrobras]. Esse é um processo que corre no âmbito do Congresso Nacional. Dentro da soberania do poder legislativo, a Itaipu, através da sua diretoria e corpo técnico, presta as informações necessárias”, disse. “Respeitamos a soberania do Congresso. E estamos acompanhando naturalmente os acontecimentos”, completou o executivo.

De acordo com o projeto de lei no Congresso, a Itaipu Binacional e a Eletronuclear serão segregadas da Eletrobras e permanecerão sob controle do governo brasileiro.

Com relação à hidrelétrica, Stamm disse que a empresa lançará nos próximos meses uma grande licitação para a contratação dos serviços de atualização tecnológica da usina. O contrato, que prevê a digitalização de todo o sistema da segunda maior hidrelétrica do mundo, com 14 mil megawatts (MW) de capacidade – atrás apenas da usina chinesa de Três Gargantas, com 22,5 mil MW – é um dos principais serviços em disputa dentro do plano de modernização da hidrelétrica, que demandará investimentos de US$ 500 milhões (o equivalente a cerca de R$ 1,7 bilhão) nos próximos dez anos.

“Imaginamos que nos próximos meses estaremos lançando o edital de licitação visando a atualização tecnológica [da usina], em que passaremos para o sistema digital”, explicou. Disse que, se as condições hidrológicas e operacionais se mantiverem conforme o previsto ao longo do ano, a usina poderá registrar novo recorde anual de produção de energia em 2018.

O recorde da usina, de 103 milhões de megawatts-hora (MWh), foi alcançado em 2016. A marca foi a maior da história entre todas as usinas do mundo. Apesar de ter capacidade maior que Itaipu, Três Gargantas tem produção de energia inferior. No primeiro trimestre deste ano, Itaipu produziu 27,9 milhões de MWh, novo recorde trimestral da hidrelétrica.

“Dependemos de variáveis hidrológicas, etc, mas é uma tendência natural [o novo recorde em 2018]. As condições apontam para um possível novo recorde. Mantidas essas condições, até sem grandes alterações, é uma possibilidade muito real”, completou Stamm.