04/05/2018

Eletropaulo terá novo controlador em junho

Fonte: Valor Econômico

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu que a disputa pelo controle da Eletropaulo será decidida em um leilão conjunto, que será realizado em 4 de junho. Além dos três competidores ofertantes – Energisa, Enel e Neoenergia -, o colegiado da autarquia determinou que poderá haver “interferência compradora” no leilão. Na prática, significa que será permitido que apareça, de surpresa, um novo lance durante o certame.

A expectativa no mercado é de que, com isso, outros investidores possam entrar na disputa, hoje protagonizada pela Enel e pela Iberdrola, que controla a Neoenergia. A notícia foi mal recebida por esses investidores, uma vez que um aumento da competição iria exigir um desembolso ainda maior pelo controle da distribuidora paulista.

Até então, o leilão estava marcado para 18 de maio. Com o prazo maior, existe a expectativa de que outros investidores tenham tempo suficiente para avaliar o negócio. A Enel, por enquanto, lidera a disputa com o maior preço por ação, de R$ 32,20. A última oferta da Neoenergia foi de R$ 32,10 por ação. Os dois preços avaliam a Eletropaulo, que tem a maior concessão de distribuição de energia da América Latina, em cerca de R$ 5,4 bilhões.

Até 24 de maio deve ser conhecido qual dos três competidores atuais terá o maior preço, e se haverá chance de aumento do preço dentro do leilão. A interferência compradora só será realizada caso o possível interessado manifeste sua intenção de participar do certame até essa data.

Se não houver novos interessados, não haverá disputa de preço durante o leilão da bolsa, prevalecendo o maior valor divulgado até 24 de maio. Somente haverá disputa de preço dentro do leilão se surgir um novo investidor que escolha colocar sua proposta apenas durante a compra na bolsa. Isso significa que, 10 dias antes do certame, os interessados vão saber se há chance de leilão competitivo.

No caso de um leilão competitivo, o investidor que já tiver publicado o edital e que sofrer a interferência poderá se defender e elevar sua proposta durante o certame. Contudo, nenhum dos atuais ofertantes (Enel, Neoenergia e Energisa) poderá ser interferente um contra o outro, algo que não estava claro na regra.

No trecho final de sua decisão, o colegiado da CVM esclareceu que a decisão para o caso da Eletropaulo foi estabelecida de tal forma porque a autarquia entendeu que as OPAs lançadas até então têm condições equivalentes.

Ontem, as ações da Eletropaulo fecharam com alta de 1,03%, a R$ 34,35. Desde o início do ano, acumulam ganho de 110,1%. Apenas desde o início de abril, a valorização foi de 92,3%.