23/05/2018

Ônibus elétricos crescerão mais rápido do que VEs, aponta relatório da BNEF

Fonte: Canal Energia

Queda dos custos com bateria e fabricação em larga escala impulsionam transformação, que ainda encontra problemas com infraestrutura de recarga e no fornecimento de cobalto. Venda de carros elétricos devem chegar a 28%, e de ônibus elétricos a 84% até 2030

A eletrificação do transporte rodoviário acontecerá de forma mais rápida na segunda metade da década de 2020, graças à queda dos custos com bateria e fabricação em larga escala, com vendas de carros elétricos chegando a 28%, e de ônibus elétricos saltando a 84% em seus respectivos mercados globais até 2030. Essa é a mais recente previsão de longo prazo feita pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF) em seu relatório anual sobre veículos elétricos.

O levantamento aponta um aumento das vendas de veículos elétricos de um recorde de 1,1 milhão no ano passado para 11 milhões em 2025, para depois 30 milhões em 2030, estabelecendo uma vantagem em relação aos carros movidos a motor de combustão interna. A China irá liderar essa transição, com as vendas representando quase 50% do mercado global de VE em 2025 e 39% em 2030.

Quanto ao número de veículos movidos a gasolina ou diesel, vendidos por ano, a expectativa é de que comece a cair em meados da década de 2020, com uma forte penetração dos VEs no mercado. Em 2040, estima-se que cerca de 60 milhões de VEs serão vendidos, o equivalente a 55% do mercado mundial de veículos leves.

De acordo com o relatório da BNEF, o avanço dos ônibus elétricos, chamados e-buses, será ainda mais rápido do que dos carros elétricos. A análise mostra a presença dos ônibus elétricos em quase todas as configurações de recarga, com um custo total de propriedade menor do que os ônibus municipais convencionais até 2019. Atualmente existem mais de 300.000 ônibus elétricos nas ruas da China, com os modelos elétricos devendo dominar o mercado global até o final dos anos 2020.

Fonte: BNEF

Para Colin McKerracher, analista-chefe de transporte avançado da BNEF, os planos dos fabricantes para lançamentos de modelos e novas regulamentações sobre poluição urbana no último ano reforçaram a visão otimista da empresa sobre as perspectivas dos veículos elétricos. “As mudanças em nossa previsão desta vez, em comparação com a anterior há um ano, são modestas, pelo menos no que diz respeito aos carros. Acreditamos agora que os VEs representarão 55% das vendas de veículos leves em 2040, em vez de 54%, e representarão 33% da frota total de veículos do mundo”, concluiu McKerracher.

Segundo ele, a grande novidade deste relatório são os ônibus elétricos, que irão crescer mais rápido do que os carros deste mesmo tipo, na medida em que os veículos convencionais desaparecerem. “A China liderou esse mercado de forma espetacular, respondendo por 99% do total mundial no ano passado. O resto do mundo seguirá e, até 2040, esperamos que 80% da frota de ônibus municipais seja elétrica”, afirmou.

A Bloomberg espera que a transição no transporte tenha implicações importantes para a demanda de eletricidade e para o mercado de petróleo. A estimativa indica que os VEs e os ônibus elétricos utilizarão 2.000 TWh em 2040, aumentando em 6% a demanda global por eletricidade. Enquanto isso, a mudança de veículos movidos a gasolina ou diesel para os elétricos deverá eliminar 7,3 milhões de barris por dia de combustível dos transportes.

A equipe da BNEF também analisou detalhadamente se o aumento da demanda por metais como o lítio e o cobalto, resultante do aumento do transporte eletrificado, poderia levar à escassez de oferta dessas matérias essenciais.

Salim Morsy, analista sênior de transporte, afirmou estar otimista em relação à demanda dos veículos elétricos nos próximos anos, mas enxerga o surgimento de dois obstáculos. “No curto prazo, vemos um risco de escassez de cobalto no início dos anos 2020, o que poderia desacelerar algumas das quedas de custo de bateria que vimos recentemente. Mais adiante, a infraestrutura de recarga ainda será um desafio”.

As perspectivas para as vendas dos VEs serão influenciadas pela rapidez com que a infraestrutura de recarga se espalha pelos principais mercados e também pelo crescimento da “mobilidade compartilhada”.

Ali Izadi-Najafabadi, analista líder de mobilidade inteligente da Bloomberg, prevê que a frota de mobilidade compartilhada global passe de pouco menos de 5 milhões de veículos hoje para mais de 20 milhões até 2040. “Até lá, mais de 90% desses carros serão elétricos, em virtude de custos operacionais menores. Veículos altamente autônomos representarão 40% da frota de mobilidade compartilhada ”, assentiu.

O ritmo de eletrificação no transporte irá variar de país para país, principalmente nos próximos 12 anos, à medida que alguns mercados passam à frente dos demais. A BNEF prevê que, em 2030, os veículos elétricos representarão 44% das vendas de veículos leves europeus, 41% das vendas na China, 34% nos EUA e 17% no Japão. No entanto, a escassez de infraestrutura de recarga e a falta de modelos acessíveis atrasarão o mercado na Índia, de forma que os VEs representarão apenas 7% das vendas de carros novos no país em 2030.

As projeções sugerem grandes oportunidades para os fabricantes de baterias de íons de lítio. A China já domina este mercado, com uma participação global de 59% da capacidade de produção em 2018, e esta previsão deverá subir para 73% até 2021.