02/05/2018

Rússia inaugura usina nuclear marítima e ativistas falam em ‘Chernobyl Flutuante’

Fonte: O Estado de S. Paulo

Se uma companhia estatal russa conseguir atingir seus objetivos, algumas regiões remotas do mundo verão em breve gigantescos reatores nucleares flutuantes bombeando energia para cidades portuárias e plataformas de perfuração de petróleo.

O reator em questão é chamado de Akademic Lomonosov. Assim que a barcaça for conectada à rede elétrica na cidade de Pevek em 2019, se tornará o reator nuclear localizado mais ao norte no mundo, capaz de produzir energia para uma cidade de 100 mil pessoas.

Para a Rosatom, estatal russa de energia nuclear, a estrutura conta com “uma grande margem de segurança” que é “resistente a tsunamis e desastres naturais”. Mas para grupos ambientais, o projeto tem outro nome: “Titanic Nuclear” ou até mesmo “Chernobyl Flutuante”.

Críticos argumentam que a pior coisa que se pode fazer com um reator nuclear é expô-lo a altas ondas do mar e fortes ventos do Oceano Ártico. Jan Haverkamp, especialista do Greenpeace em questões nucleares, qualificou o projeto como uma “ameaça chocante e óbvia a um meio ambiente frágil”.

Lomonosov, batizado em homenagem a um cientista e poeta russo do século 18, foi retirado do estaleiro de São Petersburgo no sábado 28 após sua jornada sinuosa de um ano, informou a agência de notícias Associated Press.

“A planta de energia flutuante incorporou todas as melhores qualidades das plantas nucleares tradicionais”, disse Vitaly Trunev, líder da Rosenergoatom, uma estação de energia nuclear subsidiária da Rosatom, durante o lançamento. “Está protegida contra todos os tipos de perigos naturais e técnicos.”

Algumas pessoas são céticas quanto ao assunto, incluindo as 11 mil que assinaram uma petição na esperança de acabar com os planos de lançamento da estrutura.

O reator flutuante deve ficar ancorado na Península de Kamchatka, noroeste da Rússia. Em 2019, a primeira plataforma do gênero fornecerá energia para a cidade portuária de Pevek e algumas plataformas de petróleo.

Para Rosatom, o conceito da plataforma flutuante pode funcionar. A empresa afirmou que já está em contato com compradores em potencial no sudeste da Ásia, América Latina e África, de acordo com a televisão estatal russa RT, que estima que cerca de 15 países demonstraram interesse neste tipo de plantas.