16/05/2018

Statoil muda de nome para se tornar uma companhia de energia

Fonte: Valor Econômico

A partir de hoje a norueguesa Statoil passa se chamar Equinor. O novo nome é formado pela combinação de “equi”, que segundo o presidente no Brasil, Anders Opedal, remete à palavra igualdade (“equality” em inglês) com o “nor”, de Noruega, mais próximo do que a empresa quer transmitir como mensagem para o público e funcionários. A mudança também segue outras companhias de óleo e gás que retiraram a palavra petróleo do nome – caso das britânicas British Petroleum (hoje BP) e British Gas (BG, adquirida pela Shell) – para se consolidarem em atividades voltadas à área de energia.

Com a mudança, o “ticker” da empresa na bolsa de Oslo muda de STL para EQNR. É a primeira alteração de nome desde que a Statoil, que tem 67% do controle nas mãos do governo norueguês, foi criada em 1972. A Equinor já investiu no Brasil mais de US$ 10 bilhões desde 2001 e tem no país atualmente 20 licenças de exploração e ou produção de petróleo. E, ainda, seu primeiro projeto de geração de energia solar no mundo, o Apodi, no Estado do Ceará.

A empresa registrou lucro líquido equivalente a US$ 4,6 bilhões em 2017. Ontem, a assembleia de acionistas que bateu martelo quanto à mudança de nome também aprovou o pagamento de dividendos de US$ 0,23 por ação. O plano já divulgado pela empresa é investir uma média de US$ 11 bilhões por ano até 2020, mas a companhia não divulga informações sobre distribuição dos recursos.

Não é difícil prever que uma parte expressiva será investida no Brasil. A Equinor é operadora do campo de Peregrino e com a compra de 25% do gigante Roncador, ambos na Bacia de Campos, vai triplicar sua produção no Brasil assim que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovar a aquisição. Atualmente a norueguesa produz entre 70 mil e 80 mil barris diários no campo de Peregrino, que opera tendo como sócia a chinesa Sinochem, e com direito a uma fatia de aproximadamente 40 mil barris.

Somando a isso os 70 mil barris/dia aos quais terá direito em Roncador, a produção vai chegar a cerca de 110 mil barris/dia. Em 2020, com a conclusão da fase 2 de Peregrino e a instalação da terceira plataforma no campo, outros 60 mil barris/dia serão adicionados à produção.

Uma das petroleiras mais experientes em recuperação avançada de reservatórios, a meta é aumentar o fator de recuperação de Roncador em 5%, extraindo mais 500 milhões de barris ao longo dos próximos anos.

Em 2018 o foco é avaliar o campo de Carcará, com reservas de 2 bilhões de barris. Os sócios são Galp, Exxon e Barra Energia. O início da produção é previsto para 2023-2024. Agora, discute o conceito de desenvolvimento da área, incluindo unitização com a área Norte, que requer a participação da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) por ser área de partilha.

Norueguesa pagou R$ 1,24 bilhão para 800 fornecedores brasileiros de bens e serviços em 2017

A Equinor já está perfurando com a sonda West Saturn a área de Guanxuma, descoberto na parte sul do bloco BM-S-8. Trata-se de estrutura diferente de Carcará. Outro projeto grande, deve ter decisão apenas em meados da próxima década, é o BM-C-33, onde foram descobertos três campos de gás: Pão de Açúcar, Gávea e Seat.

O início dos investimentos para tirar esse insumo, no entanto, dependem de uma solução no mercado de gás para que o projeto possa avançar, explica o executivo. O início da produção depende da regulamentação do programa “Gás Para Crescer”, que irá disciplinar o acesso de terceiros à infraestrutura de gasodutos do país.

“No BM-C-33 nós dependemos mais de mudanças no mercado de gás que permitam o aumento do consumo no Brasil”.

Na entrevista, Opedal afirmou que não entende o fato de o Brasil ter concentrado a discussão sobre conteúdo local na fase de desenvolvimento da produção. “É preciso lembrar que quando desenvolvemos um campo ele vai produzir por trinta a quarenta anos. E que vamos precisar de muita manutenção, logística, helicópteros, catering e outras atividades. E de todo o dinheiro que gastamos durante a vida útil de um campo, desde o planejamento até o encerramento, 70% é gasto enquanto operamos o campo, e 30% durante a fase de desenvolvimento”, diz.

O executivo cita como exemplo gastos de R$ 1,24 bilhão em 2017 pagos a fornecedores de bens e serviços no Brasil. “Tivemos 800 fornecedores, desde o menor até o maior. Essa é a atividade que criamos quando estamos desenvolvendo um novo campo. E acho importante ter essa discussão em sua totalidade”, afirma o executivo.

Opedal deixa a função no segundo semestre, quando voltará para a Noruega para assumir a vice-presidência de Tecnologia, Projetos e Perfuração. O cargo é ocupado por Margareth Ovrum. Ela trocará de lugar com Opedal como vice-presidente executiva da área de negócios Brasil, que vai se reportar diretamente para a sede da empresa.

Com todo o otimismo que tem com o Brasil, o executivo não dá muitas pistas sobre a participação nos próximos leilões. Apesar de inscrita na 4ª Rodada de Partilha de Produção, marcada para 7 de junho, Opedal disse que ainda avalia a participação. “Estamos olhando com interesse os próximos leilões mas não decidimos nada ainda”, disse.

A Equinor é uma das dezesseis empresas habilitadas para o leilão, incluindo duas novatas sem nenhuma licença no Brasil. São elas a DEA Deutsche Erdoel AG e a malaia Petronas Carigali.

Opedal afirma que os campos são “muito interessantes” e elogia o que considera “um excelente trabalho” da ANP. A agência desenvolveu um calendário prévio de leilões, o que torna o processo “previsível e com transparência” no Brasil. Ele explicou que a empresa está analisando as áreas que serão oferecidas.