15/06/2018

Dólar pode elevar tarifas de energia elétrica no Brasil

Fonte: Canal Energia

Consumidores do Centro-Oeste, Sudeste e Sul serão os mais impactados

A valorização do Dólar frente à moeda brasileira eleva ainda mais as tarifas de energia no Brasil, principalmente para os consumidores das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Isso ocorre porque a energia entregue pela hidrelétrica de Itaipu é dolarizada.

Para os consumidores atendidos pela Light, por exemplo, o efeito da recente escalada da moeda norte-americana só será percebido a partir de março de 2019. Já para os consumidores atendidos por Copel (PR), Eletropaulo (SP) e Celesc (SC), a pressão do Dólar será percebida já em 2018.

O Dólar iniciou o ano cotado a R$ 3,26. Até 29 de março, a moeda se matinha comportada e era negociada a R$ 3,30/US$. A partir dessa data, a cotação entrou em uma curva exponencial ascendente e no dia 7 de junho fechou em R$ 3,92, após bater R$ 3,96. A moeda norte-americana não era cotada acima dos R$ 3,90 desde o dia 2 de março de 2016.

Preocupado com a disparada do Dólar e seus impactos na já frágil economia brasileira, desde o início do mês o Banco Central entrou em campo para conter a trajetória de alta. Nesta quinta-feira, o Dólar fechou a R$ 3,81.

A Agência CanalEnergia pediu para que duas consultorias especializadas no setor elétrico simulasse o potencial impacto do Dólar na conta de luz. Segundo o diretor comercial da TR Soluções, Helder Sousa, um aumento de R$ 0,50 na taxa de câmbio nos próximos 12 meses (jun/2018 a jun/2019), tem potencial para provocar um aumento médio nas tarifas dos consumidores das distribuidoras do Sul, Sudeste e Centro-Oeste (cotistas de Itaipu) de 2,39 pontos percentuais. “Um aumento de 2,39 pontos percentuais é relevante, considerando que este é apenas um componente da tarifa”, frisou o especialista.

Partindo de um pedido semelhante, a consultoria PSR realizou uma série de simulações para obter sensibilidades a respeito das tarifas residenciais para 2019, supondo diversos cenários de câmbio e preço de combustível (Brent). Para separar o efeito dessas duas variáveis, as simulações foram realizadas considerando: (i) preço do combustível constante e variação da taxa de câmbio e; (ii) taxa de câmbio constante e variação no preço do combustível. Os resultados não consideram nenhum tipo de imposto (ICMS ou Pis/Cofins) e nem o efeito das bandeiras tarifárias.

Assim como a TR Soluções, a PSR também concluiu que a taxa de câmbio tem um potencial de impacto nas tarifas reguladas maior do que a variação no preço do combustível. De acordo com Mateus Cavaliere, consultor na área de Tarifas e Regulação da PSR, uma variação de 25% na taxa de câmbio representa um aumento médio de 2,5% nas tarifas dos consumidores do Sudeste e 0,02% para os do Nordeste.

“Considerando o que está acontecendo agora com essas disparada do Dólar e até com a questão dos combustíveis que deu origem a greve dos caminhoneiros, nossa ideia era ver como esses fatores poderiam impactar o setor elétrico, principalmente para o mercado regulado. O que a gente viu é que o câmbio tem uma influência muito mais forte do que a alta dos combustíveis. Porque o câmbio impacta diretamente na tarifa de Itaipu, que é dolarizada”, explicou Cavaliere.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, explicou que o descolamento do Dólar também pode prejudicar as concessionárias, que precisam usar o caixa da empresa para suportar o aumento do custo da energia de Itaipu até o reajuste tarifário. Em maio, a Aneel aprovou aumento médio de 23,19% nas tarifas da Cemig D. A compra de energia impactou o índice em 4,2%, por conta, principalmente, do aumento do custo da energia das hidrelétricas em regime de cotas e de Itaipu.

“A distribuidora paga Itaipu em três faturas por mês a cada dez dias e paga de acordo com o Dólar no dia. O Dólar na tarifa da distribuidora está com um valor fixo e é ajustado uma vez por ano pela Aneel. Durante esse período de um ano, a distribuidora acumula essas variações numa conta chamada CVA (Conta de Variações da Parcela A) e quando vem o processo de reajuste das tarifas é repassado para o consumidor”, explicou Leite.

Para o ano de 2018, a tarifa de repasse da hidrelétrica Itaipu definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica é de US$ 27,87/KW (2,98% menor do que 2017). Segundo a PSR, as distribuidoras que mais recebem energia de Itaipu são: Eletropaulo, Cemig, Copel-D e Light.