14/06/2018

Financiamento para GD solar precisará de suplementação com o tempo

Fonte: Canal Energia

Avaliação de instituições financeiras é de que a expansão dos sistemas levará a uma demanda maior por recursos do que as atualmente disponibilizadas

As instituições que trabalham para disponibilizar valores para financiar a geração distribuída no país já consideram que os recursos inicialmente disponibilizados poderão ser elevados em pouco tempo. Isso porque o cenário indica que a perspectiva de crescimento está favorável a este movimento, seja pelo interesse cada vez maior dos consumidores por conta da elevação da conta de energia no mercado regulado quanto pelo apelo ambiental. Ao mesmo tempo estão as taxas de juros reduzidas no BNDES ou nos fundos constitucionais.

No caso do banco de fomento federal, a nova linha do Fundo Clima, que pode ser acessado por pessoas físicas para a compra do sistema em GD, é possível que seja necessária uma suplementação no orçamento dessa linha com o passar do tempo. Dentre as linhas disponíveis essa é que tem a taxa final mais baixa com algo na casa de 4,03% ao ano, sendo que o custo financeiro está em 0,1% a.a., a taxa do BNDES e de 0,9% a.a. e a remuneração do agente financeiro está limitado em 3% a.a. E, apesar de limitar a participação máxima de até 80% ante os 100% das demais linhas, deve ter demanda mais expressiva.

Segundo Guilherme Oliveira Arantes, do Departamento de Credenciamento e Conteúdo Local do BNDES, essa atratividade pode ser referenciada pelo volume de recursos já liberados em uma semana. Desde que foi lançado já conta com projetos que somam R$ 14,3 milhões e um total financiado de R$ 11,4 milhões. Só para efeitos de comparação o que já foi realizado pelo Finame desde que a fonte foi atendida soma R$ 8,8 milhões em projetos e R$ 6,7 milhões liberados em financiamentos. Ele apresentou os dados durante o Brasil Solar Power 2018, realizado pela UBM/Grupo CanalEnergia no Rio de Janeiro.

“Conseguimos essa quebra de paradigma para que as pessoas físicas possam acessar a linha, o orçamento é limitado, mas existe já uma previsão de suplementação desse fundo, mas ainda sem garantia de ser realizada”, apontou ele.

Outro destaque dessa edição do evento, que é a questão do atendimento da demanda por meio dos fundos constitucionais para a geração centralizada e geração distribuída nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, também pode ser ampliada ao passo que essa primeira fase de investimentos mostre que há demanda. De acordo com Cilene Dórea, do Ministério de Integração Nacional, são ‘apenas’ R$ 3,2 bilhões que são destinados a essa modalidade de investimento. “À medida que as pessoas busquem essas linhas, esperamos que o acesso seja crescente com o passar do tempo e teremos que pensar em valores muito maiores desses fundos”, avaliou a representante do governo.

A linha aberta pelo governo por meio da MP 812 de 26 de dezembro de 2017 as taxas para as pessoas físicas variam de 3,89% a 7,1% a.a. e para as pessoas jurídicas a variação parte da mesma base e vai até 6,5% a.a. a depender das condições e localização dos projetos. Mas, lembrou ela, e necessário que essa MP ainda seja convertida em lei para que possa ser implantada efetivamente.

Segundo apontou o ministro Antônio de Pádua no primeiro dia do evento, os valores destinados à GD no Nordeste são de R$ 2,5 bilhões, no Norte é de R$ 574 milhões e no Centro Oeste de R$ 50 milhões. E essa mesma impressão de que em breve deveremos ver a elevação desses recursos foi externada pelo presidente executivo da ABSolar, Rodrigo Sauaia.

Na avaliação do gerente do Escritório de Promoção e Atração de Investimentos e Relacionamento Institucional do Banco do Nordeste, Alan Andrade Luz, há muitas oportunidades nos próximos ano para a geração distribuída. Ele lembra da experiência do banco no financiamento da fonte solar por meio da linha FNE Sol lançada pelo BNB ainda em 2016. Somente o BNB em micro e minigeração distribuída até abril de 2018 foram viabilizadas 458 operações e valores de R$ 76,7 milhões desde maio de 2016. Para fins de comparação no acumulado de 2017 e 2018 o valor total financiado em geração centralizada soma pouco mais de R$ 3 bilhões.

Para este ano, o banco tem um montante de R$ 30 bilhões sendo 50% destinados a infraestrutura e boa fatia desse montante em energia, sendo GC e GD bem como em transmissão.