29/11/2018

Conta de luz volta à bandeira verde em dezembro

Fonte: Valor Econômico

Após oito meses, a bandeira tarifária deverá voltar à cor verde, ou seja, sem cobrança adicional na conta de luz dos consumidores brasileiros, em dezembro. A expectativa é de executivos, especialistas e autoridades do setor elétrico ouvidos pelo Valor, baseados principalmente no intenso volume de chuvas observado em novembro e previsto para dezembro, o primeiro mês do período chuvoso.

A estimativa mais atual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o volume de chuvas para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste – que concentra 70% da capacidade de armazenamento de água para geração de energia do país – em novembro é de 29% acima da média histórica para o período. O número final de novembro e a primeira projeção oficial para dezembro serão divulgados hoje.

Pelo modelo computacional utilizado pelo órgão, o volume de chuvas das últimas semanas influencia as previsões para as semanas seguintes. Por esse motivo, algumas comercializadoras de energia já trabalham com a possibilidade de o preço de liquidação das diferenças (PLD), o preço spot de energia, chegar ao piso regulatório, de R$ 40,16 por megawatt-hora (MWh), na próxima semana, pela primeira vez desde março de 2016. Naquele ano, o piso regulatório do PLD era de 30,25/MWh. O valor atual do PLD é de R$ 101,71/MWh.

De acordo com projeções da comercializadora Comerc, a média do custo marginal de operação (CMO), indicador que baliza o cálculo do PLD, previsto para dezembro no Sudeste é de R$ 84/ MWh. Para janeiro, a previsão é de R$ 65/MWh, com trajetória de queda até maio, no fim do período chuvoso, com R$ 38/MWh.

A companhia prevê que o nível dos reservatórios do Sudeste/ Centro-Oeste alcance 22,8% no início de dezembro, assumindo trajetória de alta até maio, com expectativa de encerrar o período chuvoso com 79,5% de estoque. A previsão de chuvas da Comerc para dezembro é que fique 8% acima da média histórica para o mês no Sudeste/Centro-Oeste.

As projeções da comercializadora Máxima Energia vão na mesma linha. “Também projetamos bandeira verde em dezembro. O cenário hidrológico melhorou muito. O mês de novembro foi decisivo. E as chuvas devem ficar dentro da normalidade em dezembro”, afirmou o presidente-executivo da empresa, Rafael Bispo.

Para a comercializadora Safira Energia, o volume de chuvas previsto para dezembro também deve influenciar a bandeira verde. O único ponto de preocupação para os próximos meses é o aumento da temperatura, que pode provocar um crescimento mais acentuado do consumo de energia. “Os reservatórios não estão mais deplecionando [perdendo volume] e o solo está mais úmido. Mas o aumento da temperatura pode prejudicar esse cenário”, explicou Gabriella Sales, analista da Safira Energia.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, também afirmou, em recente evento do setor elétrico, no Rio, que não descartava a possibilidade de bandeira verde em dezembro, mas que a definição da cor é uma atribuição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e leva em consideração outros fatores além do CMO, como o GSF (sigla em inglês para o fator de ajuste da garantia física das hidrelétricas).

Segundo o executivo, o período de chuvas começa “bastante promissor”. Para o operador, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste podem chegar ao fim de abril com 50% a 60% de armazenamento.

A comercializadora Ecom Energia também prevê que o cenário positivo para dezembro se estenda para os próximos meses. “Temos expectativa de bandeira verde em dezembro e no início do ano que vem. Enxergamos bandeira verde permanecendo por uns três, quatro meses. Já vemos PLD a R$ 100/ MWh em dezembro e temos também uma expectativa de melhora do GSF com a recuperação das chuvas”, disse Rafael Bozo, analista regulatório da Ecom Energia.

A consultoria Thymos Energia também projeta um GSF próximo de 100% em dezembro. “O GSF deve ficar em 93% em dezembro. Então, isso projeta uma bandeira verde sem muitas surpresas”, disse Daniela Souza, consultora da Thymos.

Um pouco mais cautelosa, a comercializadora Delta Energia projeta um mês de dezembro favorável, mas indica que ainda não é possível saber se o cenário permanecerá neste nível nos próximos meses do período úmido. “Temos uma visão para o início de dezembro, mas não sabemos se vai se manter. A média de longo prazo de janeiro da hidrologia é muito alta, se as afluências ficarem um pouco menores, pode ser que o preço suba”, afirmou Débora Mota, gerente de gestão de clientes da Delta.