07/12/2018

Venda de bicicleta elétrica mais que dobra no ano

Fonte: Valor Econômico

Todos os dias o engenheiro florestal aposentado Ruy Osório, de 86 anos, mantém a saúde praticando caminhada, natação ou ciclismo no condomínio onde mora em Itu (SP). Ele já pedalou 10 mil km em bicicletas elétricas e está no quarto modelo. Os irmãos Luisa e Artur Zucchi, estudantes da Universidade de São Paulo (USP), usam a e-bike para ir de casa às aulas e ao trabalho. “Faço em meia hora o percurso que levaria no mínimo 45 minutos de ônibus e não chego nem suada”, diz Luisa. Artur conta que sua bicicleta elétrica se pagou em um ano, só com a economia em combustível, transporte público e Uber.

Os três fazem parte de um contingente crescente de usuários de um veículo que, nos últimos 12 meses, teve um salto de 112% nas vendas globais. Com eficiência energética 53 vezes maior que o carro, a bicicleta elétrica tem benefícios socioeconômicos avaliados em meio bilhão de euros (R$ 2,2 bilhões) por ano na União Europeia. Em 2017, a França ofereceu um subsídio de 200 euros para a compra e este ano a prefeitura de Paris aumentou o valor para 600 euros. No Japão as e-bikes já representam 64% da produção total de bicicletas.

No Brasil as vendas somam apenas 0,25% do mercado, 31 mil unidades em 2018, mas podem chegar a 6% em 2022 (280 mil unidades), segundo estimativa conservadora da Aliança Bike. A demanda tende a crescer mais se houver racionalidade tributária. Hoje o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre a e-bike é de 35% – maior que o do uísque, por exemplo (30%). Isso eleva o valor médio da bicicleta elétrica a R$ 7,3 mil, o maior entre 29 países analisados em estudo recente. Se o IPI fosse equiparado ao das bicicletas convencionais (10%), haveria queda de 18% no preço final, calcula a organização.

Há cinco fábricas nacionais de bicicletas elétricas em atividade. A General Wings, de São Paulo, tem 4 mil clientes e muitos deles venderam o segundo carro, informa o sócio Ricardo De Féo. Ele acredita que o mercado pode crescer até 50 vezes, à medida que aumentarem os incentivos públicos e a aceitação social. “Mais que uma solução de lazer e saúde, a bicicleta elétrica resolve o problema de espaço e dá autonomia no ir e vir”, diz. Um indicador de que essa aceitação está aumentando é a ciclovia da avenida Faria Lima. Em seis anos, o número de ciclistas que a percorrem com e-bikes quintuplicou, chegando hoje a 9% do fluxo.

Outra tendência de mobilidade urbana é o uso de scooters elétricas. A Cooltra, empresa de origem espanhola com atuação em seis países europeus, presta serviço de locação B2B em São Paulo e no Rio de Janeiro desde 2014. Seus modelos E-Max, com tecnologia e chassi alemães, design e motor italianos e controlador inglês, são montados pela Riba Brasil, representante da australiana Vmoto. Silenciosas e não-poluentes, elas têm autonomia de 80 km, carregam até 70% da bateria em uma hora e 100% em três horas.

“Vamos ser a primeira empresa do país a operar com compartilhamento de scooters”, informa o gerente geral da Cooltra e diretor técnico da Riba no Brasil, Rui Almeida. Uma vantagem destacada por ele é a eficiência energética dos veículos elétricos, que chega a 90%, contra 20% a 25% dos veículos a combustão. O empresário ressalta a importância do programa federal Rota 2030, de incentivo ao setor automotivo: “O veículo híbrido e o elétrico começaram a ser inseridos nas discussões sobre o que seria adequado em termos de taxas e impostos, para que esse mercado tenha condições de evoluir sem total dependência do que está acontecendo lá fora”.